Quase quatro anos depois da demolição do
edifício da Escola Primária e Completa Unidade 24, no bairro Maxaquene “A”, na
cidade de Maputo, o local está abandonado, continua a albergar malfeitores e a
acumular lixo. Os moradores do bairro ameaçam tomar o lugar para prática
comercial.
Em Março de 2023 o Município de Maputo, em
coordenação com a Direcção de Educação da Cidade, mandou demolir o edifício já
degradado, onde funcionava a Escola Primária e Completa Unidade 24, no bairro
Maxaquene “A”. A infra-estrutura servia de abrigo para marginais, que
perpetravam assaltos na zona.
Quase quatro anos depois, o capim alto, montes
de lixo e cheiro nauseabundo tornou-se a principal característica do local.
Júlio Tsovo, morador do bairro é vizinho da antiga escola, queixa-se de sofrer
directamente as consequências do abandono do espaço pelas autoridades.
“Não resolveu nada, passou a ser lixeira aqui.
Por algum tempo tivemos uma empresa que recolhia o lixo, mas as pessoas já não
têm dinheiro para pagar pelo serviço, por isso estamos assim. E como você vê,
temos aqui esses bares, que no final das actividades jogam garrafas aqui.
Qualquer bicho que morre, lançam aqui. Estamos a pedir socorro”.
Segundo os munícipes, o que parecia uma solução
contra o crime, transformou-se numa incubadora de doenças.
“Estamos fartos de imundície. Para quem vive nos arredores deste local, sofre
constantemente com moscas, sobretudo durante as refeições. Qualquer um que
quiser despeja lixo aqui. Quando chove, a água transborda. Nós até não queríamos
que a Unidade 24 morresse. Porque as escolas Unidade 10 e 25 estão
operacionais, só a Unidade 24 é que está podre. Nós estudamos aqui. Então, nós
gostaríamos de pedir a quem de direito para nos ajudar com essa situação”,
desabafou Virginia José, que tem uma banca de venda de hortícolas, bem ao lado
do espaço baldio.
Em 2024, a Direcção de Educação da Cidade
garantiu já ter disponível, proveniente do Banco Mundial, mais de 160 milhões
de Meticais para erguer uma nova infra-estrutura, neste espaço, com três pisos
e 20 salas de aulas. No terreno não há indício de obras. A comunidade sugere
soluções próprias, para aproveitar o espaço.
“Nós vamos nos instalar aqui. Cada uma vai
cortar o seu espaço para colocar sua banca, para evitar essas coisas de andar a
encher de lixo. Vamos colocar nossas bancas, já que nós não temos mercado. Ou
que construam a escola”, disse Anastância Macamo. Próximo do local, há
residências, lojas e barracas e bancas que comercializam todo o tipo de
produtos, expostos às moscas e outros perigos. A Direcção dos Serviço de
Assuntos Sociais da Cidade de Maputo, responsável pela infra-estrutura prometeu
dar detalhes sobre o projecto de construção da nova escola, na passada sexta-feira.