O sector da Comunicação Social
enfrenta riscos cibernéticos cada vez mais sofisticados, capazes de comprometer
a disponibilidade, integridade e confidencialidade da informação, além de
abalar a confiança do público nas instituições mediáticas.
O alerta foi feito pelo especialista
em cibersegurança, Sérgio Guivala, durante um painel dedicado ao tema, durante
o V Conselho Coordenador do GABINFO.
Segundo a fonte, o custo médio global
de um incidente cibernético ronda os cinco milhões de dólares, com os ataques
potenciados por inteligência artificial a registarem um crescimento de cerca de
56 por cento entre 2024 e 2026.
"O mesmo estudo indica que uma
em cada quatro violações de segurança já é impulsionada por esta tecnologia,
embora a IA também tenha permitido poupanças superiores a 1,93 milhões de
dólares através do reforço dos mecanismos de defesa", afirma Guivala.
Casos concretos foram citados para
ilustrar a dimensão do problema, como o ataque sofrido em 2015 por uma
televisão francesa, que interrompeu transmissões e provocou prejuízos de cerca
de 4,5 milhões de euros, com efeitos negativos que se prolongaram muito além do
incidente, incluindo quebras na audiência digital.
Em 2020, também a sul-africana SABC
foi alvo de um ataque que expôs dados pessoais e financeiros, obrigando a
estação a alertar os seus utilizadores.
Em Moçambique, o especialista
destacou o quadro legal recentemente reforçado, com a aprovação da Lei de
Segurança Cibernética e da Lei dos Crimes Cibernéticos, além da proposta de Lei
de Proteção de Dados já depositada na Assembleia da República.
Entre as medidas prioritárias
recomendadas para o sector mediático, o especialista referiu a autenticação de
múltiplos factores, a definição de privilégios de acesso à informação, a
realização de backups regulares e a elaboração, e teste periódico, de planos de
resposta a incidentes, de forma a garantir a capacidade de prevenir, deter,
responder e recuperar de eventuais ataques.