A chegada da
embarcação de assentamento de tubagens denominada STINGRAY à Baía de Palma, em
Cabo Delgado, marca um passo concreto na retoma do projecto Mozambique LNG,
operado pela TotalEnergies, depois de anos de interrupção.
A embarcação foi
descarregada há dias e deverá apoiar a instalação da infra-estrutura que vai
ligar os campos de gás offshore às instalações de Gás Natural Liquefeito (GNL)
em terra.
A STINGRAY será
responsável pela instalação de cinco gasodutos ao longo de um corredor de
aproximadamente 17,7 quilómetros na Baía de Palma.
Um comunicado
enviado à nossa Redacção, indica que a infra-estrutura é considerada
fundamental para o transporte do gás produzido na Área 1 até às instalações de
liquefacção em construção em terra.
“A chegada da embarcação
representa, assim, um sinal de que o projecto está a passar da fase de anúncios
sobre a retoma para uma etapa de execução física, com o regresso de
equipamentos, empreiteiros e embarcações especializadas à província de Cabo
Delgado”, refere o documento.
A mobilização da
STINGRAY enfrentou, entretanto, constrangimentos logísticos. A embarcação e a
sua frota de apoio permaneceram retidas nos Emirados Árabes Unidos na sequência
do encerramento do Estreito de Ormuz, no início de 2026. Posteriormente, a frota
foi redireccionada através de Omã até chegar a Moçambique.
Offshore avança por etapas
Os trabalhos na
zona de águas pouco profundas da Baía de Palma deverão ser seguidos por uma
campanha em águas profundas, prevista para o segundo trimestre de 2027.
As duas fases fazem parte do processo de ligação progressiva dos campos de gás
offshore à unidade de liquefacção em terra.
Para o mercado, o
avanço físico das obras assume particular importância, uma vez que a conclusão
de cada etapa contribui para reduzir os riscos associados à execução de um dos
maiores projectos de investimento alguma vez realizados em Moçambique.
No mercado internacional, a entrada em produção do Mozambique LNG poderá reforçar a posição de Moçambique como fornecedor de GNL, num contexto em que compradores da Europa e da Ásia procuram diversificar as suas fontes de abastecimento de longo prazo.
Nos próximos meses, a atenção vai concentrar-se no progresso da construção offshore, no avanço das instalações em terra e nos preparativos para a campanha de águas profundas prevista para 2027.