Quinta-feira, 29/10/2026
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Moçambique aceita 284 de 292 recomendações da ONU sobre direitos humanos

Moçambique aceita 284 de 292 recomendações da ONU sobre direitos humanos

Organizações da Sociedade Civil elogiaram na passsada Quinta-feira (24), em Genebra, o “envolvimento construtivo” do Governo moçambicano com a Revisão Periódica Universal. O País acolheu 284 das 292 recomendações apresentadas no âmbito do mecanismo das Nações Unidas.

Moçambique aceitou 284 das 292 recomendações apresentadas no âmbito do Quarto Ciclo da Revisão Periódica Universal (RPU), cujo relatório foi adoptado esta quinta-feira, 25 de Setembro, em Genebra, pelo Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas.

A posição de Maputo recebeu uma avaliação favorável de organizações da sociedade civil que intervieram na sessão. Numa declaração conjunta, a Federação Luterana Mundial, a World Vision Moçambique e o Fórum Moçambicano de Monitoria da Revisão Periódica Universal elogiaram o Governo pelo seu “envolvimento construtivo” com o mecanismo e consideraram que a elevada aceitação das recomendações reflecte maior abertura e compromisso com as normas internacionais de direitos humanos.

As organizações destacaram ainda o reforço dos instrumentos legislativos e das políticas destinadas à protecção das mulheres, jovens, pessoas com deficiência, refugiados, deslocados internos e outros grupos vulneráveis.

Outro aspecto valorizado na declaração foi a descentralização da implementação das recomendações e a sua integração no planeamento e orçamento. Segundo as três organizações, esta abordagem permite envolver as comunidades locais e os grupos vulneráveis na definição de prioridades e no acompanhamento dos progressos.

O reconhecimento foi acompanhado de recomendações para a fase seguinte. As organizações defenderam maior esforço no combate à violência baseada no género, na protecção dos direitos da criança, na inclusão dos refugiados e deslocados internos e na participação da sociedade civil, bem como a aceleração da ratificação dos instrumentos internacionais ainda pendentes.

Defenderam igualmente a elaboração e aprovação do PARPU IV 2027-2030, a apresentação periódica de relatórios sobre a implementação das recomendações, o cumprimento do Direito Internacional Humanitário e do Direito Internacional dos Direitos Humanos em Cabo Delgado e a continuação do Diálogo Nacional Inclusivo.

A revisão de Moçambique realizou-se a 5 de Maio, durante a 52.ª sessão do Grupo de Trabalho sobre a RPU, com a participação de 109 delegações. Entre as recomendações posteriormente aceites pelo País encontram-se matérias relacionadas com justiça, liberdade de expressão, eleições, responsabilização por violações dos direitos humanos, actuação das forças de segurança e protecção dos civis em Cabo Delgado.

Moçambique assumiu ainda compromissos voluntários, entre os quais concluir este ano o processo nacional de ratificação do acordo para a instalação no País do Gabinete do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, prosseguir a ratificação da Convenção Internacional para a Protecção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado e avançar com a adesão ao Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais.

Com a adopção do relatório, o processo passa agora para a implementação. As organizações que intervieram em Genebra consideraram a aceitação das recomendações um “marco”, mas assinalaram que os resultados dependerão do diálogo inclusivo, da transparência e da cooperação continuada com a sociedade civil, o Parlamento e os parceiros internacionais.

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